Veja o quanto a greve dos caminhoneiros afetou a economia até agora

terça-feira, 31 de julho de 2018 às 11h48

A greve dos caminhoneiros travou o escoamento da produção e afetou o abastecimento no país nos 11 últimos dias de maio. Os efeitos sobre a atividade econômica ainda estão sendo medidos, mas os indicadores divulgados desde a paralisação já refletem as perdas.

Da maio a junho, a indústria, o comércio e os serviços apresentaram queda. A inflação disparou, a arrecadação desacelerou, a prévia do PIB veio negativa.

INFLAÇÃO SOBE 1,26%

O entrave ao transporte de mercadorias causou forte pressão sobre os preços. Em junho, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) teve o maior resultado para o mês desde 1995.




Os alimentos e os transportes foram os que mais sentiram o choque de preços. O grupo Alimentação e Bebidas subiu 2,03% no mês. Já nos Transportes houve alta de 1,58%, puxada pelo aumento nos preços dos combustíveis.


INDÚSTRIA CAI 10,9%

Dados divulgados pelo IBGE neste mês mostraram que o setor industrial teve a 2ª maior queda mensal da série histórica. Em abril, a indústria havia crescido 0,8% em relação ao mês anterior.





No mês, 24 dos 26 ramos industriais apresentaram resultado negativo. As quedas mais significativas foram registradas em veículos (-29,8%) e alimentos (-17,1%).

COMÉRCIO TEM QUEDA DE 0,6%

As vendas do comércio varejista também retraíram da passagem de abril para maio. Foi o 1º resultado negativo do ano. Em abril, haviam crescido 0,7%.



No período, 6 das 8 atividades de comércio apresentaram queda. Entre elas, destacam-se livros, jornais, revistas e papelarias (-6,7%) e, novamente, combustíveis (-6,1%).

SERVIÇOS RECUAM 3,8%

O tombo foi observado também nos serviços, que tiveram a queda mensal mais significativa de toda a série histórica em maio. No mês anterior, o setor tinha avançado 1,1%.




Todas as atividades investigadas pelo IBGE apresentaram queda, com destaque para transportes (-9,5%).

BALANÇA COMERCIAL DESACELERA

O saldo entre as exportações e importações brasileiras também foi afetado pela paralisação. Em maio, a balança comercial fechou o mês com superavit de US$ 5,98 bilhões. O resultado é 20% menor do que o observado no mesmo mês do ano anterior.



A greve de caminhoneiros fez o fluxo diário de exportações brasileiras cair 36% nas duas últimas semanas de maio. A média diária de exportações passou de US$ 1,06 bilhão de 1º a 20 de maio para US$ 702 milhões do dia 21 ao 31.

ARRECADAÇÃO DESACELERA

Puxada por receitas extraordinárias e royalties de petróleo, as receitas do governo federal cresceram 2% em junho. Retirados esses fatores, entretanto, haveria queda de 0,5%.



Segundo a Receita Federal, a queda na produção industrial foi o principal fator que prejudicou a arrecadação no mês. No período, os ganhos com o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) caíram 14,28% em relação ao mês anterior.

Nos próximos meses, o programa de subsídio ao diesel, criado pelo governo federal para dar fim à paralisação, também passará a afetar negativamente as receitas, explicou o Fisco.

CRESCIMENTO TEM QUEDA

Neste mês, o governo reduziu de 2,5% para 1,6% a expectativa de crescimento para 2018. Segundo o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fabio Kanczuk, a paralisação retirou cerca de 0,2 ponto percentual do PIB do ano.



Em maio, o IBC-Br, índice do Banco Central considerado a prévia do PIB, também apresentou forte queda, de 3,34% em relação ao mês anterior.


O QUE OS ECONOMISTAS ESPERAM

Para Guilherme Macedo, professor de economia na UFRGS, e Thiago Xavier, economista da Tendências Consultoria, os efeitos da paralisação sobre a atividade econômica a curto prazo já foram absorvidos pelo PIB. Para eles, os resultados dos setores devem mostrar recuperação nos próximos meses.

“De forma geral, os indicadores de junho já recuperaram as perdas, com intensificação produtiva nos setores em que foi possível”, afirma Xavier. Para ele, os prejuízos devem ser mais duradouros na pecuária, devido à mortalidade dos animais.

A despeito do impacto mais pontual sobre a atividade, os economistas destacam que a paralisação terá outras consequências, mais duradouras, sobre a economia.

Macedo acredita que os principais efeitos foram a piora nas contas públicas e a interrupção do caminho de queda do juros e da inflação. O economista da Tendências acrescenta que a confiança e a percepção dos consumidores e empresários também foram prejudicadas.

“A demora do governo para lidar com o problema e os benefícios concedidos não são favoráveis do ponto de vista fiscal e mostraram fragilidade“, diz Xavier.

Fonte: Poder 360

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