Governo tentará reduções e deve ceder para evitar novo impasse

terça-feira, 12 de junho de 2018 às 10h26

Em eventos, Temer ignora fragilidade e volta a defender atuação do governo na greve dos caminhoneiros (Foto: ANTONIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL)

O governo do presidente Michel Temer vai tentar nesta semana fechar acordo com os principais representantes dos caminhoneiros para reduções pontuais na tabela de fretes.

Sem opções nem apoio, está disposto a ceder para evitar novo impasse, mesmo que continue desagradando ao setor produtivo, principalmente o agronegócio e a indústriaCoordenador das negociações, o ministro-chefe da Casa Civil Eliseu Padilha recebeu a missão de evitar a qualquer custo outra paralisação nacional capaz de comprometer mais a governabilidade nos seis últimos meses da gestão Temer.

Recados com esse tom foram enviados pelo Palácio do Planalto, por meio do ministro dos Transportes, Valter Casimiro Silveira, aos representantes das principais entidades que apoiaram a recente greve: a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) e a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam).

O tabelamento do frete foi uma das reivindicações de caminhoneiros, mas que desagradou os segmentos do agronegócio e da indústria. As conversações a respeito de uma terceira versão da tabela de frete com menor redução começaram na última sexta-feira (8), um dia após o governo federal anunciar que a segunda versão, publicada na véspera, seria suspensa.

Tabela com estudo

Um especialista em contas públicas foi contratado pela Abcam para rever os cálculos do governo e identificar falhas na futura tabela. Segundo a assessoria da entidade, a redução de 20% no valor do frete, como era previsto na segunda tabela, não será aceita. “O que será feito são apenas algumas modificações que prevejam todos os tipos de caminhão, bem como a medição da quilometragem em distâncias menores”, afirmou o presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes.

Esse deve ser o perfil de uma nova tabela, que será proposta pela entidade para substituir as duas anteriores, invalidadas por pressão da categoria. Fonseca Lopes não deu detalhes sobre como será esse trabalho nem deu o nome do especialista contratado. Nem ele nem o presidente da CNTA, Diumar Bueno, participaram ou enviaram representantes à reunião de ontem (11) convocada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), e que acabou não acontecendo.

As lideranças dos caminhoneiros preferem voltar a negociar com uma nova proposta, com base nesse estudo encomendado para detalhar os custos dos fretes rodoviários. Há disposição deles em manter o canal de negociação com o governo. O diálogo se justifica pois o compromisso de redução do preço do óleo diesel está sendo cumprido, de acordo com o relatos dos representantes estaduais do movimento.

Situação ingovernável

O professor William Vella Nozaki, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), afirmou ao DCI que o governo fez a aposta errada na questão do frete e está em um labirinto porque as alternativas incluem graves prejuízos a diversos setores da economia. “A dificuldade na negociação demonstra que o diagnóstico feito pelo governo, do ponto de vista político e econômico, estava errado desde o princípio”, disse.

Segundo o especialista, sem alterar a política de preços da Petrobras, “o governo vai enxugar gelo e colocar as contas públicas, já combalidas, numa situação mais delicada, mantendo o governo sob pressões de setores que deixam a situação ingovernável”. O diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente do Senado, Felipe Salto, apontou que, depois da redução do diesel, o governo ficou com pouca margem para dar novos subsídios aos setores e deixará ao próximo governo o desafio de manter essa política sem ferir a meta fiscal de 2019 - R$ 139 bilhões.

Pelas contas da Instituição, o custo com os subsídios ao diesel até dezembro será R$ 1,2 bilhão a mais do que os R$ 13,5 bilhões previstos inicialmente.

Fonte: DCI

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