Paraguai deve investir US$ 700 milhões para pavimentar região do Chaco e viabilizar rota bioceânica

domingo, 03 de setembro de 2017 às 09h49

Ministro de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai, Ramón Jimenez Ganoa (Foto: Anderson Viegas/G1 MS))

O ministro de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai, Ramón Jimenez Ganoa, disse na manhã desta sexta-feira (1º), em Assunção, em reunião com os integrantes da expedição brasileira formada por empresários e autoridades que avaliou a viabilidade do corredor rodoviário ligando o Centro-Sul do Brasil aos portos do Chile, que o país vai honrar os compromissos assumidos para viabilizar a rota.
Entre esses compromissos, destacou a licitação já aberta para a pavimentação do primeiro trecho da rota que vai passar pela região do Chaco, o chamado Pantanal Paraguaio, em uma extensão de 270 quilômetros, entre Carmelo Peralta, fronteira com o Brasil, e Loma Plata. Conforme o ministro, vai demandar um investimento de aproximadamente US$ 400 milhões, o equivalente na cotação desta sexta (R$ 3,13), a R$ 1,3 bilhão. A expectativa é que esse processo seja concluído ainda este ano e as obras iniciadas no próximo ano, com previsão de duração de dois anos e meio a três anos.

Ganoa destacou ainda que técnicos estão elaborando o edital de licitação do segundo trecho, entre Marechal Estigarribia e a fronteira com a Argentina, em Pozo Hondo. Ele não apontou qual o valor que deverá ser investido neste seguimento, mas técnicos do ministério haviam antecipado que somente na pavimentação total do Chaco a previsão do governo paraguaio é investir em torno de US$ 700 milhões, o equivalente a R$ 2,191 bilhões. Se somada a contrapartida de 50% para a construção da ponte binacional, outro gargalo para a viabilização do corredor de integração, o custo para o país subiria, ainda de acordo com os técnicos, para US$ 1 bilhão, ou R$ 3,130 bilhões.

O ministro destacou ainda que, com esses investimentos e outros que o país está fazendo na área de logística, como a duplicação da rodovia que liga Assunção a Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu (PR), o Paraguai pretende se tornar um caminho quase que obrigatório nas exportações de produtos brasileiros que vão seguir para a Ásia, pelo oceano Pacífico.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Eladio Loizaga, destacou que a união de esforços do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile para viabilizar a rota de integração representa um momento histórico, que vai gerar uma oportunidade única de desenvolvimento para as comunidades por onde o corredor vai passar e para as próprias nações, além de promover a integração cultural e social destes países.

Durante o evento, a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) firmou termo de cooperação com a Universidade Nacional de Assunção para a criação de um curso de pós-graduação voltado para a formação de profissionais que possam atuar em projetos relacionados à rota. A exemplo das parcerias firmadas durante a expedição com instituições da Argentina e do Chile, o curso que será criado deverá ter a mesma grade curricular, independente da instituição, abordando aspectos como direito internacional, logística, idiomas e questões sociais e culturais.

“A ideia é que, no futuro, esses cursos que serão criados nas diferentes instituições e que terão a mesma grade curricular possam se transformar em apenas um curso. Para isso, os professores farão intercâmbio entre as instituições e precisaremos de autorização dos conselhos que gerem o ensino superior nestes países”, destacou o reitor da UEMS, Fábio Edir.

A senadora Simone Tebet (PMDB), que esteve presente na reunião junto com o coordenador da bancada sul-mato-grossense no Congresso Nacional, Waldemir Moka, ressaltou que os parlamentares do estado estão assumindo o compromisso de destinar de forma conjunta recursos para a construção da ponte binacional no orçamento do próximo ano.

“A rota vai sair do papel, vai se transformar em realidade porque temos a mesma identidade e o mesmo ideal, de crescer e nos desenvolvermos com a geração de emprego e melhoria das condições de vida da nossa população”, concluiu Simone.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas e Logística de Mato Grosso do Sul (Setlog/MS), Cláudio Cavol, que foi um dos organizadores da expedição que percorreu todo o trecho da rota, saindo de Campo Grande e chegando até o porto de Antofagasta, no Chile, apontou que o resultado foi muito positivo.

“Mais do que vontade política dos quatro países em trabalharem juntos para viabilizar a rota, percebemos ao longo do caminho as manifestações de apoio da população das cidades por onde o corredor vai passar, demonstrando a esperança de que junto com a rota chegue também desenvolvimento, emprego e renda. Isso foi o mais marcante de toda a viagem”, ressaltou.
O secretário estadual de Infraestrutura de Mato Grosso do Sul, Marcelo Miglioli, que percorreu toda a rota com a expedição, destacou ao final do último evento oficial do grupo um otimismo muito grande com a concretização do projeto.

“O governo paraguaio já está licitando um dos trechos no Chaco e vai licitar em breve o outro. Na Argentina, outro trecho não pavimentado já está sendo concluído. A questão da ponte deve ser viabilizada em breve. Então acredito que em um prazo de três a quatro anos possamos ter essa rota totalmente em operação, tanto para a exportação e importação, quanto para o turismo”, projetou.

Com a reunião na manhã desta sexta-feira no Ministério das Relações Exteriores, a expedição da Rota de Integração Latino-Americana (Rila) concluiu todos os compromissos oficiais. Desde 25 de agosto, quando saiu de Campo Grande, percorreu aproximadamente 6 mil quilômetros. Primeiro testou a viabilidade do corredor, seguindo de Mato Grosso do Sul, passando pelo Paraguai e Argentina até o porto chileno de Antofagasta, em um total de 2,2 mil quilômetros. No trecho passou pela Cordilheira dos Andes e depois pelo deserto do Atacama. Depois o grupo participou de uma série de reuniões e atividades para discutir e analisar o projeto passando por cidades chilenas e argentinas, até chegar a Assunção.

Fonte: G1

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